Participação do Dia: Bruno Norbert

por estaçãodapoesia

A vida parece mais sombria quando estamos sós. Mas feita de uma sombra tão clara que se torna transparente, criando uma visão única, diferente, amedrontadora. Ao fechar meus olhos, me encontro no fundo de um ser desconhecido, feito de carne e ossos, moldado pela vida, pelos amigos e pelas desventuras proporcionadas por sonhos de poeta.

A mão se estendeu para algo além, buscou no escuro uma chama, mas ela o queimou, a chama era forte, grandiosa. O escuro se tornava menos negro com a calorosa visão da luz. Mas que luz nefasta fere aquele que a busca? Quais são as dores que ferem como a jornada por aquilo que o deixa quente e vivo?

Gritos, eu os ouvi, distantes como a lua, soaram como uma música, a mais bela de todas. Parei e olhei. Sem me mover, de olhos fechados, busquei a origem de minha orquestra. Era meu coração. Gritava por mim, me buscava em seu fundo, mas não me encontrava. Perdido. Encontrei-me chorando, escrevendo, largando em folhas o que me conduzia ao papel.

Bruno Norbert de Holanda

(brunonorbert.tumblr.com)

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